• Performando com Marcus Bastos
  • Photo: Camila Picolo
  • Photo: Camila Picolo
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  • Teste de imagem no edificio da FIESP
  • Performando com Ruy Fernandes

“Monomito” é como Joseph Campbell denomina sua teoria na qual o “herói” é um arquétipo que acompanha a humanidade por meio de contos, mitologias e da própria história.

O herói é uma figura que se repete em ciclos eternos e seus rituais de passagem são formas de transmissão de morais, valores e costumes responsáveis pela perpetuação desse conhecimento em diversas culturas e tempos. O ato heróico é uma transformação na qual o protagonista sai de seu local de conforto, mergulha no desconhecido e retorna como portador da moral.

Desde a cultura oral, passando pela literatura e posteriormente pelos meios audiovisuais, a figura do herói continua a ser aquele ícone, fruto de um anseio coletivo em preencher certas lacunas da experiência humana.

Mais contemporaneamente, as plataformas de comunicação social usam da figura do avatar como este arquétipo que convida a participação no mito contemporâneo da “aldeia global”.

Nas redes, sob máscaras do avatar, buscamos ser “heróis”, nos transformarmos, sermos outros. Estes meios de comunicação nos propiciam distintas formas de “estar” com outros: uma “não-presença”, um “não estar” onipresentes, sem tempo. Nas redes estamos sempre tratando de “outredades” sendo, seguindo, monitorando, compartilhando, outros. Tratamos ali de arquétipos, de “eu” coletivos.

Quando retornamos ao plano físico, as experiências muito próprias desses espaços digitais, em suas revelações, trocas e moralismos, retornam em forma de memórias e vivências, fazem com que nossas relações interpessoais físicas sejam outras.

E é através do Monomito, este objeto performático vestível, que nos travestimos de outros, nos tornamos outro alguém. Je suis d’autre, já pronunciava Rimbaud.

Monomito é composto por um chapéu, uma máscara, uma câmera, um projetor de vídeo e um computador. A câmera captura a imagem de pessoas. Essa imagem é processada pelo computador através de um software de reconhecimento de faces que as recorta e as envia para um banco de dados. Estas faces são posteriormente video-mapeadas e video-projetadas no rosto do performer que utiliza uma máscara translucida, suporte para a projeção. Tanto a câmera quanto o video-projetor estão localizados no chapéu.

Quando exposto na galeria, o objeto é colocado em um manequim e representa um avatar estático que continua capturando e projetando faces.

Quando vestido pelo performer, o outro se torna eu e eu me torno o outro. O performer passa a ser um “herói” enclausurado em um constante processo de transfiguração. Ele caminha pelo ambiente capturando e projetando imagens de pessoas em seu próprio rosto, aludindo a esses processos de relações virtuais e interpessoais em um mesmo plano de performance artística.

VERSAO SP URBAN

Uma versão a ser especialmente desenvolvida para a SPURBAN propõe estreitar ainda mais as relações entre herois-avatares, espaço urbano e virtual.

O performer caminha pela avenida Paulista camuflado com suas vestes sociais e sua pasta de executivo, intensionando se perder na multidão. Mas a própria luz do projetor em sua face denuncia ali um ser em constante mutação.
A mutação se dá, no entanto, somente quando se inicia uma relação de afeto, de comprometimento, de olho no olho, quando o passante se permite desviar sua trajetória para poder ter esse momento de troca com outro alguém. Aqui nasce a obra, deste encontro entre passante e performer. E é a partir deste encontro que acontece a obra.

A imagem do passante é apropriada pelo performer, projetada em sua face e enviada simultaneamente as 4 telas disponiveis no espaço. O “passante-interator-avatar” passa a ser na multiplicidade de tempos e espaço: no painel da FIESP e nos outros 3 painéis das rampas na Alameda das Flores.

Cada nova imagem é inserida em um banco de dados que é acionado randomicamente entre os espaços de não interação.

Monomito

Performance audiovisual (2013, 2015)
Autores: Paloma Oliveira & Mateus Knelsen

Tags:comunicação não verbal, performance, vestível

Categorias: monomito, performance